Pesquisas: Quem estará mentindo?

sexta-feira, 10 de agosto de 2012


Deu no Blog de Pedro Carlos:

As pesquisas de opinião divulgadas em Mossoró mostram que alguém está enganando alguém ou que, no mínimo, estão querendo enganar a nós, cidadãos/eleitor. Ora, caro leitor, como é que pode duas pesquisas divulgadas em um mesmo período, com entrevistas feitas na mesma época, darem resultados tão diferentes? Com a minha experiência em campanha, posso dizer categoricamente que uma das duas foi direcionada. E como é que se direciona uma pesquias? Fácil, caro leitor. É quando se compra um dos institutos e o fazem direcionar os questionários aos locais aonde só existem eleitores de determinado candidato. As pesquisas, em sua maioria, usam a metodologia do sorteio dos bairros aonde serão feitos os questionários. Mas quem acompanha esse “sorteio”? A verdade é que, se quiser, o instituto indica quaisquer bairros e no final troca os nomes.


Explicando
Os bairros a serem sorteados, caro leitor, têm de estar dentro da distribuição do eleitorado local. Por exemplo: a Zona Norte (Santo Antônio e Adjacências) tem 65% da população local. Portanto, nestes bairros é preciso que tenhamos 65% das entrevistas feitas. No conjunto de bairros da Zona Norte, no entanto, há regiões que candidato ou candidata A tem mais intenção de voto do que candidato B. Sendo assim, para direcionar uma pesquisa, basta o instituto escolher, dentre os bairros, aqueles que mais tem voto para quem lhe interessa.

Resultado
O resultado, claro, ficará viciado porque não distribuiu o eleitorado de forma correta e muito menos está aferindo verdadeiramente o sentimento da população. O que acontece, neste tipo de caso, é uma manipulação do resultado para atender a quem contrata a pesquisa, seja alguém que está a frente dos números ou quem está por trás deles.

Margem
Existe outra forma de manipular uma pesquisa de opinião, infelizmente muito utilizada aqui no Brasil. É a manobra com a margem de erro. Veja, caro leitor, que em média as pesquisas têm margem de erro de 3%. É bom que entendamos que esses 3% valem para todos os candidatos, inclusive os nanicos. Portanto, se uma pesquisa diz que candidato A ou candidato B tem 15% de maioria, isso quer dizer que essa maioria, de acordo com a tal pesquisa, pode ser de apenas 9%.

Manipulação
Essa é a carta de seguros dos institutos de pesquisa que não trabalham com seriedade. Eles manipulam a margem de erro até chegar perto do pleito. Usam o velho argumento de que pesquisa é um “retrato” do momento. E como criam na cabeça das pessoas o imaginário de que os números têm alguma veracidade, nunca são questionados neste sentido. O problema, caro leitor, é que na reta final eles são obrigados a se aproximar da realidade, na medida em que a Justiça Eleitoral sempre questiona o último levantamento, quase nunca se importando com os demais.

Perigo
A verdade nua e crua é que as pesquisas eleitorais viciadas são um grande perigo para a democracia brasileira. Digo isso há muito tempo. Entendo que o eleitor tem o direito de saber como anda a opinião da população, porém, diante da fragilidade da seriedade de alguns institutos e dos cenários cada dia mais irreais que são apontados por alguns, não vejo outra saída a não ser banir todos eles da disputa política. A própria Justiça Eleitoral deveria ter um departamento de estatística com esse objetivo. Assim, teríamos a lisura total de toda e qualquer pesquisa.

Estatística
Quando deve custar um departamento de estatística na Justiça Eleitoral? Acredito que sairá muito mais barato do que ver um resultado ser manipulado e poder influenciar na disputa democrática. Fica lançada a ideia, que certamente num futuro bem próximo deverá ser colocada em prática. No modelo atual, entendo, só existirá pesquisa inquestionável no dia em que todos os questionários e a entabulação dos dados sejam acompanhados por um fiscal do TRE. Até lá, só saberemos quem é sério ou não no dia do pleito.

Outro
Antes de encerrar esse comentário, lembrei de outra forma de manipular pesquisas eleitorais. O instituto espera um outro publicar os números para poder manipular-los de acordo com o interesse do contratante. Funciona assim: instituto A diz que vai publicar pesquisa tal dia. Instituto B também diz o mesmo. Seria uma forma de confrontar os números.

Hora H
Porém, na hora H eis que os números do primeiro instituto — perseguido pelo segundo para não dar margem às interpretações de que o primeiro é quem tem a razão — são bem menos favoráveis aos que contrataram o instituto B. O instituto B, então, arruma uma desculpa para não divulgar os números naquele momento. Assim, o dono do instituto combina com o contratante mexer na margem de erro como forma de aumentar a diferença, que reconhecidamente caiu e que deveria ser de 10%, segundo o levantamento, mas como a margem de erro é de 3%...

Bahia
Esse último caso aconteceu na Bahia, em 2006, quando o candidato Jacques Wagner, do PT, venceu no primeiro turno e as pesquisas apontavam que ele nem chegaria ao segundo. Será que a história se repete aqui em Mossoró? Isso só o tempo dirá. Aguardemos, pois.


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